{"id":1761,"date":"2022-09-29T17:53:46","date_gmt":"2022-09-29T17:53:46","guid":{"rendered":"http:\/\/agnk.lidedigital.com.br\/?p=1761"},"modified":"2022-09-29T17:53:46","modified_gmt":"2022-09-29T17:53:46","slug":"afinal-para-que-serve-o-contrato-de-namoro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agkn.com.br\/index.php\/2022\/09\/29\/afinal-para-que-serve-o-contrato-de-namoro\/","title":{"rendered":"Afinal, para que serve o contrato de namoro?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Marina Amari e Mariana Capaverde Keller<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 novidade que as rela\u00e7\u00f5es afetivas contempor\u00e2neas ganham contornos cada vez mais peculiares. Em pesquisa recente do Col\u00e9gio Notarial Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo, foi contabilizado um aumento de 54,5% na celebra\u00e7\u00e3o dos chamados&nbsp;<em>contratos de namoro<\/em>. Esse crescimento \u00e9 reflexo da centralidade que ganhou a autonomia dos homens e mulheres em seus relacionamentos afetivos e demonstra que o Direito de Fam\u00edlia deve tentar caminhar a passos pr\u00f3ximos do que a sociedade j\u00e1 encara como&nbsp;<em>realidade<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas afinal, o que \u00e9 um contrato de namoro? Segundo a Professora Mar\u00edlia Pedroso Xavier, o contrato de namoro nada mais \u00e9 do que \u201cuma esp\u00e9cie de neg\u00f3cio jur\u00eddico no qual as partes que est\u00e3o tendo um relacionamento afetivo acordam consensualmente que n\u00e3o h\u00e1 entre elas objetivo de constituir fam\u00edlia\u201d<a href=\"https:\/\/agkn.com.br\/admin\/blog\/post\/260#_ftn1\">[1]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>E o que isso significa? Significa que o tra\u00e7o distintivo do contrato de namoro \u00e9 a aus\u00eancia de vontade de constituir fam\u00edlia, diferentemente do que se d\u00e1 na uni\u00e3o est\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de uma usual confus\u00e3o a respeito de como se d\u00e1 o reconhecimento de uni\u00e3o est\u00e1vel, ela nada mais \u00e9 do que uma \u201cuni\u00e3o p\u00fablica, cont\u00ednua e duradoura, com o objetivo de constituir fam\u00edlia\u201d. Esses s\u00e3o os \u00fanicos requisitos elencados pela legisla\u00e7\u00e3o, inexistindo, portanto, um crit\u00e9rio temporal (os famosos tr\u00eas ou cinco anos de relacionamento), ou a necessidade de coabita\u00e7\u00e3o \u2014 ao contr\u00e1rio do que \u00e9 incorretamente difundido.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo do contrato de namoro \u00e9 dar autonomia para o casal que n\u00e3o deseja se sujeitar a determinados efeitos jur\u00eddicos, cientes de que esse \u00e9 o&nbsp;<em>status<\/em>&nbsp;do relacionamento dada a aus\u00eancia de inten\u00e7\u00e3o de constituir fam\u00edlia. Afinal, se n\u00e3o pactuado de maneira distinta (por instrumento p\u00fablico ou particular), a uni\u00e3o est\u00e1vel atrair\u00e1 o regime da comunh\u00e3o parcial de bens.<\/p>\n\n\n\n<p>Findo o namoro, n\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio fazer partilha de bens. Tamb\u00e9m n\u00e3o haver\u00e1 efeito sucess\u00f3rio. Assim, o contrato de namoro \u00e9 op\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel para os sujeitos que claramente n\u00e3o possuem inten\u00e7\u00e3o de constituir fam\u00edlia e, com isso, n\u00e3o almejam determinados efeitos patrimoniais incidentes sobre as demais rela\u00e7\u00f5es afetivas.<\/p>\n\n\n\n<p>O entendimento do que \u00e9 o \u201cobjetivo de constituir fam\u00edlia\u201d evidentemente traz d\u00favidas, e a separa\u00e7\u00e3o entre contrato de namoro e uni\u00e3o est\u00e1vel \u00e9, n\u00e3o raras vezes, sutil.<\/p>\n\n\n\n<p>Em decis\u00e3o sobre o tema, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a diferencia o chamado \u201cnamoro qualificado\u201d (prolongado) da uni\u00e3o est\u00e1vel, entendendo que a inten\u00e7\u00e3o de constituir fam\u00edlia nesta \u00faltima&nbsp;<em>\u201cdeve se afigurar presente durante toda a conviv\u00eancia, a partir do efetivo compartilhamento de vidas, com irrestrito apoio moral e material entre os companheiros. \u00c9 dizer: a fam\u00edlia deve, de fato, restar constitu\u00edda\u201d<\/em><a href=\"https:\/\/agkn.com.br\/admin\/blog\/post\/260#_ftn2\">[2]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outro caso, o Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo<a href=\"https:\/\/agkn.com.br\/admin\/blog\/post\/260#_ftn3\">[3]<\/a>&nbsp;julgou demanda emblem\u00e1tica em que, n\u00e3o obstante houvesse a alega\u00e7\u00e3o de uma das partes de que o relacionamento seria um namoro, foi reconhecida a uni\u00e3o est\u00e1vel, pois, dentre outros fundamentos, o casal havia tentado a insemina\u00e7\u00e3o artificial em mais de uma oportunidade. Essa evid\u00eancia demonstra uma contradi\u00e7\u00e3o ao requisito inerente ao namoro, qual seja, a aus\u00eancia de inten\u00e7\u00e3o de constituir fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Visando \u00e0 maior seguran\u00e7a, \u00e9 poss\u00edvel realizar o contrato pela via particular ou por meio de escritura p\u00fablica. Caso o relacionamento mude com o decorrer do tempo, \u00e9 poss\u00edvel substituir o contrato por uni\u00e3o est\u00e1vel ou desfaz\u00ea-lo. Nada impede, tamb\u00e9m, que no contrato de namoro seja estipulado qual o regime de bens ser\u00e1 aplicado caso o&nbsp;<em>status&nbsp;<\/em>\u201cevolua\u201d para uni\u00e3o est\u00e1vel. O cen\u00e1rio pand\u00eamico, ali\u00e1s, parece ter incentivado os casais a coabitar, dividindo despesas e responsabilidades, fato que acarretou duplo efeito: ora aumentado o v\u00ednculo afetivo, ora sendo crucial para os t\u00e9rminos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um questionamento interessante a respeito do assunto seria a possibilidade, ou n\u00e3o, de um sujeito celebrar mais de um contrato de namoro de maneira simult\u00e2nea. Ou, ainda, cogitar a pactua\u00e7\u00e3o de uma cl\u00e1usula de exclusividade. Ou, melhor, de fidelidade. Cen\u00e1rios plaus\u00edveis? Talvez. Muito embora em descompasso com a t\u00f4nica brasileira de evitar pautas familiares-patrimoniais, parece que \u00e9 hora de falar sobre temas dessa natureza.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/agkn.com.br\/admin\/blog\/post\/260#_ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp;XAVIER, Mar\u00edlia Pedroso. Contrato de namoro: Amor L\u00edquido e Direito de Fam\u00edlia M\u00ednimo. Belo Horizonte: F\u00f3rum, 2021, p. 102-103.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/agkn.com.br\/admin\/blog\/post\/260#_ftnref2\">[2]<\/a>&nbsp;Superior Tribunal de Justi\u00e7a (Terceira Turma). Recurso Especial 1454643\/RJ, Relatoria: Ministro MARCO AUR\u00c9LIO BELLIZZE. Julgado em 03\/03\/2015. Publicado em: 10\/03\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/agkn.com.br\/admin\/blog\/post\/260#_ftnref3\">[3]<\/a>&nbsp;TJSP,&nbsp;Apela\u00e7\u00e3o C\u00edvel 1015043-04.2017.8.26.0506; Data de Registro: 26\/11\/2019<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marina Amari e Mariana Capaverde Keller N\u00e3o \u00e9 novidade que as rela\u00e7\u00f5es afetivas contempor\u00e2neas ganham contornos cada vez mais peculiares. Em pesquisa recente do Col\u00e9gio Notarial Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo, foi contabilizado um aumento de 54,5% na celebra\u00e7\u00e3o dos chamados&nbsp;contratos de namoro. Esse crescimento \u00e9 reflexo da centralidade que ganhou a autonomia dos homens e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-1761","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agkn.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1761","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agkn.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agkn.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agkn.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agkn.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1761"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agkn.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1761\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agkn.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1761"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agkn.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1761"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agkn.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1761"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}