{"id":1455,"date":"2022-09-29T14:29:15","date_gmt":"2022-09-29T14:29:15","guid":{"rendered":"http:\/\/agnk.lidedigital.com.br\/?p=1455"},"modified":"2022-09-29T14:29:15","modified_gmt":"2022-09-29T14:29:15","slug":"advogado-avalia-perspectivas-de-decisao-do-stf-sobre-iss-de-planos-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agkn.com.br\/index.php\/2022\/09\/29\/advogado-avalia-perspectivas-de-decisao-do-stf-sobre-iss-de-planos-de-saude\/","title":{"rendered":"Advogado avalia perspectivas de  decis\u00e3o do STF sobre ISS de planos de sa\u00fade"},"content":{"rendered":"\n<p>Todas as a\u00e7\u00f5es judiciais envolvendo opera\u00e7\u00f5es de planos de sa\u00fade que tramitam no pa\u00eds poder\u00e3o ser influenciadas pela solu\u00e7\u00e3o que o Supremo Tribunal Federal &#8211; STF emitir sobre o Recurso Extraordin\u00e1rio n\u00ba. 651.703\/PR, que discute a incid\u00eancia do ISS sobre as opera\u00e7\u00f5es de planos de sa\u00fade. O recurso sustenta que as atividades t\u00edpicas dessas empresas n\u00e3o configuram presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, tendo, na verdade, natureza securit\u00e1ria, de modo que a compet\u00eancia para tribut\u00e1-las \u00e9 da Uni\u00e3o e n\u00e3o dos Munic\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p>Iniciado o julgamento do recurso, o relator, ministro Luiz Fux, votou contrariamente aos interesses dos planos de sa\u00fade, argumentando que o conceito de \u201cservi\u00e7o\u201d, para fins de ISS, n\u00e3o deve ser aquele pr\u00f3prio do direito privado, mas, sim, um conceito de natureza econ\u00f4mica, tal como o adotado pelo STF ao julgar a incid\u00eancia do tributo sobre os contratos de&nbsp;<em>leasing<\/em>. Em seguida, o ministro Marco Aur\u00e9lio pediu vistas para melhor apreciar a quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado&nbsp;<strong>Ricardo Hildebrand Seyboth<\/strong>&nbsp;avalia a situa\u00e7\u00e3o por duas \u00f3ticas. De um lado, ele coloca que a presta\u00e7\u00e3o essencial que os usu\u00e1rios de planos de sa\u00fade esperam receber, ao contratar as operadoras, consiste na cobertura ou reembolso, por ela, de determinados gastos que o usu\u00e1rio venha a ter com assist\u00eancia \u00e0 sua sa\u00fade. E essa atividade n\u00e3o constitui um trabalho, um fazer, apto a configurar servi\u00e7o. Argumenta, ademais, que todas as demais atividades que a operadora desempenha existem unicamente para viabilizar financeiramente o cumprimento dessa obriga\u00e7\u00e3o central, de arcar com os custos da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade. S\u00e3o, portanto presta\u00e7\u00f5es executadas mais no interesse da pr\u00f3pria operadora do que no do usu\u00e1rio, de modo que n\u00e3o podem ser chamadas de \u201cservi\u00e7os\u201d. \u201cNo m\u00e1ximo, seriam autosservi\u00e7os\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Natureza securit\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De outro lado, Seyboth assinala que o contrato de plano de sa\u00fade, embora tenha regula\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, tem ineg\u00e1vel natureza securit\u00e1ria. Trata-se, afinal, tal como os contratos de seguro, de um contrato de risco, aleat\u00f3rio, em que a operadora tanto pode vir a lucrar, como pode vir a ter preju\u00edzo, tudo na exata medida em que o usu\u00e1rio do plano venha ou n\u00e3o necessitar dos servi\u00e7os de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade (de m\u00e9dicos, laborat\u00f3rios, hospitais etc.) cujo custo esteja acobertado pelo contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>Seyboth ressalta que, realmente, o contrato de plano de sa\u00fade tem a mesma fun\u00e7\u00e3o de garantia inerente aos contratos de seguro. \u201cAli\u00e1s, em rigor, as \u00fanicas diferen\u00e7as essenciais que ele guarda, para com os contratos de seguro-sa\u00fade, residem na inexist\u00eancia de limite financeiro para a cobertura e na possibilidade de condicionar, a pr\u00e9vio credenciamento, a escolha, pelo usu\u00e1rio, dos profissionais e institui\u00e7\u00f5es cuja remunera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 coberta\u201d, observa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Seyboth, a linha adotada no voto do relator deixa demasiadamente aberta, para o legislador infraconstitucional, a defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 e do que n\u00e3o \u00e9 tribut\u00e1vel pelo ISS. Ele observa que o pr\u00f3prio STF, por muitas vezes, j\u00e1 se inclinou pela ado\u00e7\u00e3o de um conceito mais restritivo de \u201cservi\u00e7os\u201d, fundada na defini\u00e7\u00e3o do direito privado como, por exemplo, ao decidir que n\u00e3o incide ISS sobre a loca\u00e7\u00e3o de bens m\u00f3veis. Ali\u00e1s, segundo Seyboth, esse entendimento era t\u00e3o pac\u00edfico que deu origem \u00e0 s\u00famula vinculante n\u00ba 31, de larga aplica\u00e7\u00e3o pelo Supremo. Espera, por isso, que o ministro Marco Aur\u00e9lio possa inaugurar uma posi\u00e7\u00e3o divergente na vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Compet\u00eancia tribut\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe, diante desses argumentos, a posi\u00e7\u00e3o defendida pelas operadoras de plano de sa\u00fade efetivamente prevalecer, como se espera, \u00e9 prov\u00e1vel que surjam, imediatamente, discuss\u00f5es a respeito da possibilidade de as suas atividades virem a ser tributadas, desde logo, pela Uni\u00e3o\u201d, admite Seyboth. Ele entende, contudo, que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a defesa dessa possibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado lembra que n\u00e3o basta que a Uni\u00e3o seja competente para tributar essas opera\u00e7\u00f5es; \u00e9 necess\u00e1rio, tamb\u00e9m, que ela efetivamente exer\u00e7a sua compet\u00eancia tribut\u00e1ria, mediante a expedi\u00e7\u00e3o de lei que preveja os tra\u00e7os fundamentais do tributo que incidir\u00e1 sobre tais opera\u00e7\u00f5es. \u201cE, at\u00e9 o momento, n\u00e3o h\u00e1 legisla\u00e7\u00e3o relativa a imposto federal que contemple a tributa\u00e7\u00e3o direta das opera\u00e7\u00f5es de planos de sa\u00fade\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele esclarece que a legisla\u00e7\u00e3o atualmente existente sobre o IOF-seguros n\u00e3o abarca a tributa\u00e7\u00e3o dos planos de sa\u00fade, mas apenas as opera\u00e7\u00f5es de seguro realizadas por seguradoras, que n\u00e3o \u00e9 o caso das operadoras de planos de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, as quais est\u00e3o submetidas \u00e0 disciplina de lei espec\u00edfica (Lei n\u00ba. 9.656\/98) e subordinadas \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS). Seyboth refor\u00e7a que, por outro lado, como a Uni\u00e3o nunca exigiu o IOF sobre as opera\u00e7\u00f5es de planos de sa\u00fade. \u201cSomente poderia aplicar esse novo entendimento para situa\u00e7\u00f5es futuras, em raz\u00e3o da previs\u00e3o do art. 146 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional, que veda a aplica\u00e7\u00e3o retroativa, para fins de lan\u00e7amento tribut\u00e1rio, de mudan\u00e7a de crit\u00e9rio jur\u00eddico, mesmo quando introduzida em conseq\u00fc\u00eancia de decis\u00e3o judicial\u201d, explica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todas as a\u00e7\u00f5es judiciais envolvendo opera\u00e7\u00f5es de planos de sa\u00fade que tramitam no pa\u00eds poder\u00e3o ser influenciadas pela solu\u00e7\u00e3o que o Supremo Tribunal Federal &#8211; STF emitir sobre o Recurso Extraordin\u00e1rio n\u00ba. 651.703\/PR, que discute a incid\u00eancia do ISS sobre as opera\u00e7\u00f5es de planos de sa\u00fade. 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